Jane disse-me uma vez que eu lhe tinha nas mãos, mas certamente estava errada. Disse-me que eu lhe deixei escapar pelo vão entre os dedos, mas estava errada novamente. Jane teimava em falar-me com convicção que cada tragada que eu dava em um pequeno cigarro, era um dia a menos em minha vida — outro erro de Jane. Eu não tinha Jane nas mãos, sabia disto, eu a tinha no coração, e sabia que ela tinha-me neste órgão também. Não a deixei escapar pelo vão dos dedos, ela que deixou nossa linha arrebentar com falta de confiança e teimosia. E quando Jane me disse que o cigarro fazia-me mal, com certeza ela não sabia do quão mal seria se me largasse — mesmo assim fez, mesmo sem saber o quanto doeria. Agora, mesmo que todos estes tragos de cigarros acabem com a minha vida, eu não me importo mais, porque meus dias sem a Jane não valem de nada. Ela nunca me falara que era meu sol, a luz de todas as minhas manhãs, talvez não soubesse disto. Talvez eu não soubesse disto também. Jane não me disse das coisas que aconteceriam se me largasse, não em alertou das dores e nem das saudades que viera quando fora embora. Jane disse-me tudo o que estava errado, e certamente não sabia o certo. Jane não sabia o tamanho de sua ocupação no meu coração, e talvez não saiba até hoje o vazio que deixou nele assim que partiu. Agora, eu só queria que Jane me dissesse algo, nem que seja em meus sonhos, pois se foi embora e não disse nada. Jane apenas virou meu anjo sem ao menos perguntar-me se eu a queria como anjo. Jane partiu, e junto com ela, uma parte de mim partiu também. Jane escute minhas palavras dai de onde você está: Eu te amo, e com toda a certeza amo todas as palavras erradas que disse. Daria tudo para tê-las aqui, junto de ti comigo.
Bruna M.

Uma xícara de café forte para uma manhã de ressaca. Uma cama com lençóis emaranhados e uma brisa fresca entrando pela janela. Cabelos bagunçados. Mente confusa. Olhos procurando uma resposta enquanto os lábios procuram mais café. Uma dor de cabeça insuportável e uma lembrança vaga da noite anterior. “Cachaça, cachaça e cachaça”. Nada muito diferente das outras noites desde que levaram teu coração. Não sabiam a falta que lhe ia fazer quando levaram teu coração junto de algumas gotas de felicidade. Na verdade, deixaram somente teu corpo, sem nada. Sem essência. Sem sentimentos.
(0800reckless)
Havia um brilho quebrado em seu olhar, mas ninguém conseguia ver. Tinha um sorriso torto nos lábios rosados também, e naquele mesmo sorriso torto, saia palavras desajeitadas, assim como ela. E daí se estivesse sofrendo com alguma coisa dentro de si? Não seria a única no meio de tantos bilhões de pessoas decepcionadas. Seguia em frente, sempre. Tinha aquele seu jeito todo forte, mas por dentro era fraca. Sim, tinha aquela estória clichê de ser forte por fora, mas parece uma bolha de sabão por dentro, mas o que poderia fazer? Sentia demais. Não só amor. Oh, garota… Tranquilize este teu pobre coraçãozinho. Ele não está quebrado acredite, só está arranhado. E enquanto não sara este pequeno arranhão, continue fazendo isto mesmo: fingindo. Fingindo que não sente nada, pois acabará se convencendo mesmo disto.Bruna — 0800reckless